Último suspiro.
Do alto do morro, a visão do complexo emaranhado de casas de parede frágil, caímos no sono mas nossos sonhos são inderrubaveis, a vida te confunde, a ganância te ilude, fiz o melhor que pude, sem deixar evidências, claro, enxerguei além da aparência, fui além dos cinco sentidos, deixei claro minha clariaudiência, pois vi com clareza, pulsos pretos em algemas, sangue preto em chicotes, preto vira branco com medo da morte, crianças violadas, e botarem a culpa no shorts, na mente sua falsa culpa, no pulso o alívio em cada corte, no peito uma dor forte, que não passa com paracetamol nem dipirona, para c tá só, só me deixa eu tô na boa, não tô travado de pó, pés cravado no chão enquanto o pensamento voa, não tô normal, minha doença é percepção extra sensorial, cheio de fases, novilúnio, na lua cheia eu vou dar sumiço, ira, se resumi em uma cara de brabo e os olhos alagadiço, cresci no cortiço aprendi que rap é compromisso, vivência de peregrino, bandido desde de menino, menino lobo tem dente canino, selvagem, às margens implácidas, uma chance sem ensaio, um tiro, olho pra morte de soslaio, coletivo é o melhor do povo, o povo desunido o resultado é desastroso, plantei, cultivei, pra ter bons frutos, os heróis deles foram totemizados, olhe direito, todos nós temos defeitos mas nada que o amor próprio não de um jeito, corrigindo quem não fez direito magrinho de fome correndo nos becos estreitos, trocando tiro, levando tiro, "o mundo que se foda" disse o vida Loka agora sem vida, no seu último suspiro, fazia o corre pelas notas por aqui é comum, Nego se mata por dinheiro e morre sem valor nenhum.
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