Nao temo.respeito
Eu trago ecos no peito, mas não lhes dou o comando, tenho sombras atrás de mim e sigo em frente rimando. Leio o silêncio nos olhos, vejo o disfarce a cair, há quem sorria por fora com veneno por repartir. Sinto o peso no ar quando alguém se aproxima, como se a própria sombra me sussurrasse em surdina. Não digo que vejo tudo, nem que nunca me engano, mas há sinais que me despertam antes de estender a mão. Há olhares que são espelhos, outros escondem labirintos, rostos vestidos de calma, pensamentos indistintos. E eu caminho entre mistérios, sem me deixar dominar, nem toda a sombra é ameaça, nem todo o brilho é luar. Tenho uma lua na íris, um eclipse no pensamento, há corvos sobre os telhados a anunciar a mudança do vento. Vejo máscaras a dançar num baile sem identidade, cada sombra conta uma história, cada rosto esconde uma verdade. A noite chama por mim, reconhece a minha voz, há um reino entre os silêncios onde eu dialogo comigo a sós. Se os fantasmas vêm comigo, dou-lhes ritmo e direção, não temo a escuridão — sou filha da sua imensidão.Não temo o que está oculto, nem recuo perante o véu, eu caminho pela sombra sem deixar de olhar o céu.
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