kabidela na investigação

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kabidela  na investigação

Shhh… Há quem minta tão bem que acaba a acreditar na própria versão. Mas há um pequeno problema… A verdade não precisa de autorização. Pinóquio… O espetáculo vai começar! Tens uma história na boca, outra presa na manga, juras que és transparente, mas a tua sombra te denuncia. Dizes que não foste tu, que alguém te fez a cama, mas mudas tanto o discurso que já esqueceste o que dizias. Uma mentira nasce, vem outra proteger, a segunda chama a terceira para a primeira não morrer. Já tens tantas personagens que te perdes no papel, queres controlar a história, mas não controlas o cordel. Dás a mão pela frente, pelas costas dás o golpe, fazes brindes à lealdade, mas o carácter não responde. Tens promessas de cristal, tens princípios de ocasião, quando a verdade bate à porta, já mudaste de versão. Pinóquio, Pinóquio, o nariz vai-te entregar, tantas versões da história, já te estás a enrolar. Pinóquio, Pinóquio, não me venhas convencer, quem faz da mentira um trono cai quando a verdade aparecer. Pinóquio, Pinóquio, já não sabes o que inventar, cada nó que dás à história é mais difícil de soltar. Podes fugir, podes correr, a verdade vem à tona — não a consegues deter! A mentira é uma semente que germina no segredo, cresce à custa de outra mentira, alimentada pelo medo. Primeiro negas o facto, depois inventas testemunhas, depois atacas quem pergunta, porque a verdade te arranha. E a bola vai rolando, ganha peso pelo caminho, leva nomes, leva culpas, deixa estragos no destino. Já não sabes quem disseste, nem a quem contaste o quê, tens memória seletiva, mas a história não tem fé. Hoje contas uma versão, amanhã contas o inverso, cada pessoa que te escuta recebe um universo. Pensas que dividir versões é garantir que tens razão, mas as peças vão juntando-se e desmontam-te a encenação. Eu não preciso de gritar para provar o que eu sei, não preciso de inventar para ser dona da minha lei. Não me venhas dar lições sobre carácter e verdade, se a tua maior habilidade é fugir à realidade. Tu és autora da mentira, protagonista e encenação, mas esqueceste que o público também tira conclusão. Pinóquio… Uma mentira chama outra. Outra mentira chama mais dez. E quando tentas salvar a primeira… já nem sabes qual foi a primeira que inventaste. Podes enganar muita gente durante algum tempo, mas não podes mudar os factos para sempre. O nariz pode ser de madeira… Mas a queda é bem real. A verdade vem sempre à tona. Pinóquio.

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