"Amigo dos copos"

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"Amigo dos copos"

AMIGOS — KABIDELA MC Amigos, amizades… Quando tens dinheiro, tens amigos… Ou tens gente à espera da próxima rodada? Porque enquanto há para todos, Toda a gente é família. Mas quando acaba… É que se vê quem é quem. Tenho amigos que aparecem quando o bolso tá pesado, Quando pago a conta, sou o melhor dos convidados. Há abraços, há sorrisos, há convites todo o dia, Parece que eu sou a peça que faltava à companhia. Se eu digo que hoje pago, já conhecem o caminho, Se eu digo que hoje não dá, já me deixam sozinho. Ontem era «minha irmã», hoje nem sequer me vê, A amizade tinha preço, eu é que não sabia qual é. São amigos dos copos, companheiros da rodada, Se a garrafa fica cheia, nunca falta companhia. Mas se a vida fecha a torneira e a carteira fica magra, Até quem jurou ser família muda logo de calçada. Eu não quero impressionar, nem comprar consideração, Quem precisa do meu saldo não merece o meu cartão. Se só gostas da minha mesa quando eu pago o jantar, Não és parte da minha vida, és cliente de um bar. Amigos, quem é que fica Quando o dinheiro acaba e a vida complica? Quando há copos na mesa, toda a gente diz «amém», Mas quando o bolso fica vazio, já não aparece ninguém. Quando o dinheiro cai, até o telefone toca, Há convites, há mensagens, toda a gente me procura. «Há muito que não te vejo, temos de combinar!» Mas se eu digo que tô sem guito, deixam de concretizar. Curioso esse fenómeno, parece até magia, O saldo sobe na conta, sobe a minha simpatia. Mas se o mês fica comprido e não há nada para gastar, A amizade fica offline, nem se lembra de ligar. Eu já vi quem sorrisse na abundância e me evitasse, Quem brindasse à minha sorte e na tristeza me deixasse. Não preciso que me pagues, nem que me dês o que não tens, Quero alguém que diga «força» quando a vida não vai bem. Porque amigo não é banco, não é saldo, não é patrocínio, É quem não muda o tratamento quando muda o teu destino. Há quem tenha pouco dinheiro, mas um coração gigante, E quem tenha os bolsos cheios, mas seja falso e arrogante. Se eu tiver, partilho, mas não pago pela presença, Não transformo o meu carinho numa taxa de pertença. Quem me quer só pela festa vai perder a celebração, Porque eu fecho a conta ao copo, não fecho o meu coração. E se amanhã eu vencer, não confundam com mudança, Quem ficou na fase difícil tem lugar na caminhada. Quem voltou pela fartura vai encontrar a porta fechada, Não preciso de uma multidão para seguir a minha estrada. Diz-me quem és quando não há jantar, Diz-me quem és quando não posso pagar. Se a amizade tem um preço, eu não quero comprar, Quero alguém que fique mesmo quando nada posso dar. Não sou caixa multibanco, nem distribuo patrocínio, Não financio falsas juras para alimentar o convívio. Hoje faço menos brindes, mas enxergo muito mais, Menos gente à minha volta, mais tranquilidade e paz. E aos amigos dos copos, deixo aqui a informação: A bebida pode acabar, mas não se vende o coração. Se me queres pela carteira, não me conheces de verdade, Porque o dinheiro compra a rodada, nunca compra lealdade. Amigos, agora eu sei Quem esteve pelo que eu tinha e quem ficou pelo que sou. Um brinde aos verdadeiros, a quem nunca se afastou, Porque amigo de verdade fica quando o resto acabou. Amigos… Agora já sabes quem são.

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G.O.A.T. 🐐

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14 days ago

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