Nem Sempre Dá Para Apanhar
Nem Sempre Dá Para Apanhar Yo… Uma mensagem pra quem me ouve lá de fora, Pra quem sente a minha voz, mas nem sempre me decifra. Eu sei… às vezes vou depressa demais. Mas acredita, não é por querer deixar ninguém pra trás. Eu venho de Portugal, trago o sotaque na bagagem, Palavras da minha terra, cada rima é uma viagem. Às vezes junto sílabas, faço o verso disparar, E quem tá do outro lado nem tem tempo de apanhar. Eu compreendo, minha gente, sei que pode acontecer, Uma expressão que eu uso pode não se perceber. Há palavras com dois sentidos, há contextos na construção, E aquilo que pra mim é óbvio pode não ter tradução. Não é falta de respeito, nem vontade de excluir, Eu só quero dar ao beat tudo o que tenho pra sentir. Mas se a língua é uma ponte, também pode ter desvios, E eu sei que alguns dos versos chegam como sons vazios. Se eu rimar rápido, não é pra te afastar, Se não apanhares tudo, não deixes de escutar. Eu tento dar a mensagem, pôr sentido em cada frase, Mas às vezes vai tão rápido que se perde uma parte. Não é por ti, não é por mal, não te quero confundir, É o meu flow a ganhar asas, nem sempre dá pra seguir. Se não apanhaste tudo, não quer dizer que não sentiste, Porque há verdades numa rima que o coração já ouviu. Eu acelero, encadeio, entrelaço o vocabulário, Faço a métrica dançar, cada compasso é necessário. Metáforas, trocadilhos, referências do meu chão, Às vezes cabem num segundo, mas pedem interpretação. E eu sei que, noutras terras, certas frases soam diferentes, Temos histórias, expressões, maneiras de ver as gentes. O português tem mil caminhos, cada lugar tem o seu, E uma palavra que é tão minha pode não ser tanto teu. Não te peço que decifres cada código que eu disser, Nem que saibas de onde venho pra entender quem quero ser. Eu também faço o meu esforço pra chegar a mais alguém, Mas nem sempre a língua explica tudo aquilo que ela contém. Sei que a técnica impressiona, mas a mensagem é que importa, Não quero que a minha pressa deixe a compreensão à porta. Se a velocidade me leva, dou espaço à explicação, Porque o rap não é só corrida, também é comunicação. Se eu rimar rápido, não é pra te afastar, Se não apanhares tudo, não deixes de escutar. Eu tento dar a mensagem, pôr sentido em cada frase, Mas às vezes vai tão rápido que se perde uma parte. Não é por ti, não é por mal, não te quero confundir, É o meu flow a ganhar asas, nem sempre dá pra seguir. Se não apanhaste tudo, não quer dizer que não sentiste, Porque há verdades numa rima que o coração já ouviu. Eu sou portuguesa… E o meu sotaque também faz parte da minha arte. Se eu for depressa demais, não confundas com distância. Eu não rimo pra te excluir. Rimo pra partilhar o que me vai cá dentro. E se uma parte escapar… A mensagem continua lá.
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