sorpion soul
ALMA DE ESCORPIÃO Ai, ai, ai… Não perguntes de onde eu venho, pergunta antes por tudo aquilo que eu atravessei. Escorpião na alma… e eu ainda nem comecei. Eu entro devagar, mas reparo em tudo, leio um olhar mesmo quando ele vem mudo, não preciso de palco pra provar quem eu sou, já perdi tanta coisa e mesmo assim cá estou. Tenho a calma de quem já passou pelo caos, coração cheio de cicatrizes, olhos letais, não sou fria, só aprendi a selecionar quem merece conhecer o que eu guardo no olhar. Sou água profunda, não sou fácil de nadar, quanto mais me procuras, mais tens pra descobrir, eu não mostro o mapa de onde quero chegar, se quiseres acompanhar, tens de saber sentir. Tenho intuição que dispara sem aviso, sinto a mentira antes de ouvir o improviso, não faço barulho quando decido partir, fecho a porta em silêncio e começo a reconstruir. Há quem me tema sem sequer me conhecer, há quem me queira só porque não me consegue entender, eu não sou tempestade, sou o mar depois do temporal, pareço silêncio por fora, mas por dentro sou vendaval. Tenho alma de Escorpião, coração fundo, fogo na mão, se eu amo, amo sem metade, se eu parto, parto com verdade, não me prendas numa definição, eu renasço de cada queda e faço da sombra combustão. Já me chamaram complicada, intensa demais, mas ninguém vê as guerras que eu travei por trás, aprendi que ser profunda não é defeito, é só não caber em qualquer peito. Não corro atrás de quem escolheu fugir, não imploro presença, sei quando desistir, posso sentir saudade e ainda assim dizer não, porque amor próprio também é revolução. Tenho um lado impulsivo que quer incendiar, e outro mais sereno que me manda esperar, duas vozes na cabeça, duas formas de existir, e eu faço da caneta o lugar onde as consigo unir. Transformo raiva em verso, medo em melodia, faço do que me pesa combustível pra poesia, se a vida me quebra, recolho cada parte, volto mais inteira quando regresso à minha arte. Não preciso de vingança, o tempo sabe agir, eu sigo o meu caminho, deixo o mundo decidir, quem me perdeu vai lembrar, quem ficou vai perceber: eu nunca fui difícil, só não era fácil de esquecer. Eu conheço o meu silêncio, sei o peso que ele tem, já fui abrigo de tanta gente sem saber quem me abrigava também, hoje não escondo a profundidade, nem peço desculpa pela minha intensidade. Se a minha verdade te assusta, talvez não estejas pronta pra minha realidade, eu posso ser doce sem deixar de ser feroz, e quando encontro a minha voz, não há ninguém que fale por nós. Eu sou aquela que cai e levanta, que perde e não se espanta, que chora escondida e depois se agiganta, que transforma uma ferida numa frase que canta. Não confundas gentileza com fraqueza, nem silêncio com falta de firmeza, eu posso ser doce sem perder a firmeza, posso ser fogo sem perder a delicadeza. Eu vim das profundezas, mas aprendi a respirar, tenho tempestades que ninguém consegue enxergar, não preciso que me salvem, aprendi a voltar, cada vez que a vida tenta, eu renasço noutro lugar. Olhos atentos, mente inquieta, alma antiga, energia inquieta, não sou mistério pra resolver, sou uma história que tens de merecer. E se perguntares: “Mas afinal, quem és?” Eu sorrio, dou dois passos e respondo de través: sou mulher, sou fogo, sou água, sou contradição, sou tudo aquilo que não cabe numa definição. Escorpião na alma não é ameaça, é profundidade, transformação, é saber morrer para uma versão de mim e nascer noutra ainda mais forte. Ai, ai, ai… agora já sabes quem eu sou. Não foi o signo que me criou, foi tudo o que eu vivi. Foi tudo o que eu superei, foi cada vez que eu caí, foi cada porta que fechei, foi cada vez que me escolhi. E se ainda queres decifrar-me, podes tentar, mas não prometo facilitar. Porque eu não vim ao mundo para ser explicação. Eu sou alma de Escorpião. Profunda. Intensa. E impossível de apagar.
You may also like

Leave a comment
See track description ↑