Quero paz mas nao me ativem.
Eu não pedi esta guerra. Não assinei nenhum contrato. Não escolhi as regras, não fui eu que marquei o campo. Mas se já estou aqui... então agora vou perceber o que faço com isto. Porque cada pessoa reage à sua maneira. Há quem corra. Há quem grite. Há quem fique em silêncio. Eu? Eu sigo. Entrei numa guerra que eu nunca comprei, trouxeram-me batalhas que eu nem procurei, vieram com palavras, eu ouvi, respirei, não tenho as respostas, mas ainda fiquei. Cada um tem um jeito de enfrentar o trovão, há quem feche a porta, há quem abra o coração, há quem finja que não sente, há quem sinta demais, há quem precise de tempo pra voltar a ter paz. Eu não julgo ninguém pela forma que reage, cada peito carrega uma história, uma bagagem, e às vezes quem parece mais forte por fora é quem está a travar uma guerra lá dentro agora. Eu já quis desaparecer no meio da confusão, não por falta de força, mas por excesso de pressão, porque é difícil continuar quando ninguém vê quantas vezes caí antes de me manter de pé. Mas eu aprendi: não preciso vencer todos os dias, não preciso sorrir quando só sinto feridas, não preciso provar que sou feita de aço, posso parar um segundo e depois dar mais um passo. E se o mundo vier dizer-me “fica”, eu digo “não”, mesmo cansada, porque a estrada não pergunta se eu estou preparada. E eu vou... mesmo sem saber como, mesmo sem saber quando, mesmo com o medo sentado ao meu lado no banco. Eu vou... não porque isto é fácil, não porque não dói, mas porque ainda existe qualquer coisa em mim que diz: “vai.” Eu entrei numa guerra que eu não comprei, mas não foi ela que decidiu quem eu serei. Se cada uma luta à maneira que consegue, eu luto à minha — e sigo em frente. Se eu cair, eu levanto. Se eu parar, eu respiro. Se eu não souber o caminho, faço caminho enquanto sigo. Eu não escolhi a guerra, mas escolho a direção. Podem trazer o caos, eu respondo com a minha voz. Há quem responda com raiva, há quem responda calada, há quem transforme a dor numa porta trancada. Há quem precise de gente, há quem precise de espaço, há quem diga “está tudo bem” quando está tudo ao contrário. E quem sou eu pra dizer qual é a forma correta? Cada pessoa conhece a sua própria tempestade. Eu só sei da minha. Se me virem cansada, não confundam com derrota. Às vezes parar um pouco é só recuperar a rota. Se me virem em silêncio, não significa que perdi. Às vezes estou a juntar forças para voltar a subir. Porque eu já conheço a sensação de ter o mundo a pedir mais, quando dentro da cabeça só queria um pouco de paz. Mas paz não é ausência de problemas ou de ruído. Às vezes paz é dizer: “isto existe, mas eu continuo comigo.” E isso ninguém me tira. Podem mudar as regras, podem fechar a passagem, podem dizer que eu não tenho estrutura pra esta viagem. Mas eu conheço a minha estrada, mesmo quando não a vejo, e se hoje vou devagar, amanhã talvez acelero. Não preciso correr só porque alguém corre ao lado. Não preciso chegar primeiro para dizer que tenho chegado. Talvez eu não seja forte da maneira que esperavam. Talvez a minha força seja continuar quando me cansava. Talvez vencer não seja ficar de pé sem cair. Talvez seja cair, respirar e escolher prosseguir. E eu escolho. Agora escuta: eu não vim pedir licença, vim ocupar o meu lugar, não preciso de uma coroa para saber onde ficar. Se a vida me desafia, eu respondo com presença. Não confundo ser tranquila com falta de resistência. Eu já fui a pessoa que pensava demais antes de agir, que pesava cada passo com medo de cair. Hoje ainda penso muito, isso faz parte de mim, mas já não deixo o medo escrever o meu fim. Porque o fim não está escrito só porque hoje está difícil. Há capítulos que parecem não ter saída no início. E eu já vi portas nascerem onde só havia parede. Já vi força aparecer quando pensei que não a tivesse. Por isso não me digas que eu devia desistir. Tu não sabes quantas vezes eu tive de insistir. Não me digas como lutar, cada uma sabe o seu jeito. Eu tenho cicatrizes invisíveis que ninguém vê no peito. E não preciso escondê-las para parecer capaz. Posso admitir que dói e ainda assim procurar paz. Isso também é coragem. Então... se tu corres, corre. Se tu paras, respira. Se precisas de silêncio, fica em silêncio. Mas não confundas uma fase difícil com uma vida acabada. Às vezes... é só uma curva. Eu não sei quantas batalhas ainda vêm pela frente, não sei quantas vezes vou ter de ser paciente. Não sei se vou ganhar, não sei se vou perder, só sei que enquanto houver caminho eu vou escolher correr. E quando não conseguir correr, vou andar. Quando não conseguir andar, vou parar. E quando tiver forças outra vez... vou continuar. Porque seguir em frente não tem uma velocidade certa. Não é uma linha direita. Não é uma estrada perfeita. É levantar de manhã e tentar mais uma vez. É olhar para o caos e dizer “ainda não me venceu.” É perceber que cada pessoa tem a sua própria batalha, e que nem sempre quem se afasta está a fugir da estrada. Às vezes está a proteger-se. Às vezes está a reconstruir. Às vezes está só a aprender outra maneira de existir. Eu respeito isso. E peço o mesmo para mim. Eu entrei numa guerra que eu não comprei, mas não foi ela que decidiu quem eu serei. Se eu cair, eu levanto. Se eu parar, eu respiro. Se eu não souber o caminho, faço caminho enquanto sigo. Eu não escolhi a guerra, mas escolho a direção. Podem trazer o caos, eu respondo com a minha voz. Eu respondo com a minha voz. Não escolhi esta guerra... mas escolho quem eu sou. Eu não comprei esta guerra. Mas também não vou deixar que ela me compre. Não sei como vai acabar. E talvez nem precise saber. Hoje... eu só preciso continuar. À minha maneira. Um passo. Depois outro. E outro. Até perceber que afinal... eu já estava a avançar.
You may also like

Leave a comment
See track description ↑