beat sedutivo
Foi só uma vez, nem precisei de ouvir outra vez, entrou no ouvido, bateu cá dentro e eu já sabia o que fazer. Foi à primeira audição, nem te conhecia, mas qualquer coisa nessa melodia me puxou devagar, sem pedir licença, acendeu uma ideia no meio da cabeça. Nem tinha palavras, tinha só sensação, um ritmo a tocar direto na imaginação. Fiquei ali, presa naquele segundo, como se aquele som me abrisse outro mundo. Não sei se foi o piano, se foi a batida, se foi aquela pausa antes da subida, mas houve qualquer coisa que me fez parar, daquelas coisas que não dá para explicar. E eu pensei: “Tenho de fazer qualquer coisa.” Não sei ainda o quê, mas esta chama não se apaga. De repente a mente já estava a viajar, cada nota parecia dizer: “Vem cá.” Foi amor à primeira audição, uma faísca no ouvido, fogo na imaginação. Nem sei o teu nome, mas já sei onde ir, tu deste-me o motivo, eu só tenho de seguir. Foi amor à primeira audição, uma melodia a bater dentro do coração. Seduziste o meu silêncio sem dizer uma palavra, e eu respondi com versos antes que a chama acabasse. Há beats que passam, outros ficam na pele, alguns são só som, este mexeu comigo. Nem precisei de procurar uma ideia, ele trouxe uma consigo. Primeiro veio o som, depois veio a imagem, depois vieram frases a ganhar coragem. Uma linha, outra linha, e quando dei por mim, já tinha uma história a nascer dentro de mim. É estranho como uma coisa tão abstrata consegue abrir portas que eu nem sabia que tinha. Uma melodia encontra uma parte escondida e transforma silêncio em matéria-prima. Não quero controlar, quero deixar acontecer, deixar o beat conduzir e a caneta responder. Se ele me dá o espaço, eu devolvo a intenção, se ele me dá a melodia, eu dou-lhe a minha voz. E deixa tocar, não quero pensar demais, se me faz sentir, já me dá razões para ficar. Deixa tocar, que eu descubro o resto depois. Tu trazes a música, eu trago o que sou. Foi amor à primeira audição, uma faísca no ouvido, fogo na imaginação. Nem sei o teu nome, mas já sei onde ir, tu deste-me o motivo, eu só tenho de seguir. Uma batida encontrou a minha cabeça e agora já não consigo não escrever. Às vezes não preciso de uma história, preciso só de uma melodia que me faça mexer. Que me tire do lugar, que me faça imaginar, que me dê vontade de pegar na caneta e simplesmente começar. Foi amor à primeira audição... e eu respondi com versos.
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