respeito e compreensão
DEPOIS DO NOME [Verso 1] Se há um céu, que caiba toda a gente, se há um caminho, que ninguém fique atrás. Eu não preciso ter a resposta, basta não esquecer quem está do meu lado. Antes do nome que damos às coisas, antes da bandeira, da voz e da cor, há um coração que aprende em silêncio que ninguém nasceu dono do amor. Há quem converse com Deus pela prece, há quem O procure no som do mar, há quem caminhe somente com dúvidas e mesmo assim não deixe de procurar. Eu não sei onde começa o mistério, nem tenho a verdade fechada na mão, mas sei que um olhar que reconhece o outro já pode ser uma forma de oração. [Pré-refrão] E se o infinito não couber numa palavra, se a verdade tiver mais que uma direção, talvez sejamos pequenos demais para chamar fronteira ao que é imensidão. [Refrão] Se há uma luz, que não seja só minha, se há uma paz, que atravesse o chão. Que eu saiba baixar a minha voz quando o mundo precisar de escutar o coração. [Verso 2] Respeito o templo, a estrada e o silêncio, o livro, a memória, a tradição, respeito quem encontra sentido na fé e quem ainda procura uma explicação. Porque há saber que nasceu de milénios, há histórias guardadas na pele e no olhar, e ninguém conhece a noite do outro só porque o viu de longe passar. Não quero vencer uma discussão, quero entender antes de responder. Às vezes a maior inteligência é ter coragem de dizer: “não sei perceber.” [Ponte] E se o sagrado também vive no outro, se há algo maior que o nosso querer, talvez transcender não seja subir — seja aprender a não diminuir ninguém. Talvez depois do nome venha aquilo que somos. Depois da certeza, venha a compreensão. Talvez Deus não precise que eu prove que Ele existe — talvez precise apenas que eu cuide da criação. E se eu estiver errado, que a humildade me ensine. Se eu estiver certo, que eu não use isso para ferir. Porque uma verdade que precisa de esmagar alguém talvez ainda não tenha aprendido a servir. [Último refrão] Se há um céu, que caiba toda a gente, se há um caminho, que ninguém fique atrás. Que a minha fé não seja uma parede, mas uma ponte para encontrar a paz. Se há uma luz, que não seja só minha, que ilumine sem pedir condição. E se o amor for maior que os nomes, que comece em mim e não termine na minha mão. [Outro] Depois do nome, fica o ser. Depois da certeza, fica o aprender. E quando já não soubermos dizer quem somos, talvez o silêncio nos ensine a ver: ninguém caminha sozinho quando aprende a respeitar o outro como quer ser.
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