Caos organizado...
[Intro] Há quem precise de silêncio para ouvir o que pensa, há quem só se encontre quando a vida fica imensa. Eu sou feito de outra maneira, às vezes preciso do caos para encontrar a ideia. Quando tudo está quieto, nem sempre vejo o que há, mas quando tudo se parte, sei por onde começar. [Verso 1] Tenho gavetas na cabeça que não abro há meses, umas guardam perguntas, outras guardam “e se?”. Não tento pôr tudo certo, nem tudo tem solução, há coisas que só precisam de tempo e atenção. Às vezes faço listas, às vezes nem sei por onde, às vezes uma música diz aquilo que se esconde. Às vezes preciso andar sem saber para onde vou, porque foi no caminho sem mapa que alguma coisa mudou. Não tenho uma fórmula para pôr tudo no lugar, cada cabeça tem o seu jeito de funcionar. Uns precisam de rotina, outros precisam de mudar, eu preciso de espaço para conseguir respirar. [Refrão] E se a minha mente for assim, um quarto cheio de coisas pelo chão, talvez eu não precise arrumar tudo, talvez só precise encontrar a direção. Porque às vezes perder-me um pouco é a única forma de voltar a mim. [Verso 2] Há pensamentos que chegam sem bater à porta, entram, fazem barulho e depois deixam a resposta. Outros ficam no canto, quietos, sem dizer nada, até um dia eu perceber que era ali que estava a estrada. Já tentei calar aquilo que gritava cá dentro, mas silêncio forçado nunca trouxe entendimento. Hoje deixo as ideias passarem por mim, não agarro todas — algumas podem chegar ao fim. Organizar não é controlar, nem pôr cada coisa num sítio e nunca mais mexer. É saber o que fica, o que posso largar, e aceitar que há dias em que não sei o que fazer. [Ponte] Caos não é sempre queda, silêncio não é sempre paz. Nem tudo o que parece perdido está perdido de verdade. Eu conheço o meu labirinto, já me perdi nele vezes sem conta. Mas cada volta que eu dou deixa uma porta mais pronta. [Verso 3] Não preciso de ter tudo claro, preciso de ver o próximo passo. Se hoje não consigo carregar o mundo, carrego só aquilo que cabe no braço. Não quero uma cabeça perfeita, quero uma cabeça que seja minha. Com espaço para a dúvida, com espaço para a linha. E quando a confusão voltar a bater, eu já não fujo dela como antes. Sento-me no meio do caos e vejo o que é importante. [Outro] No fim, talvez a paz não seja o silêncio. Talvez seja saber qual voz merece ser ouvida. Porque a cabeça pode ser tempestade, mas eu não sou obrigado a ser o mar. Posso deixar passar a chuva. Posso esperar o céu abrir. E quando tudo voltar ao lugar, eu não vou ter menos pensamentos… vou só ter mais espaço entre eles.
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