Cada linha aqui é um grito que ninguém quis ouvir…

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Cada linha aqui é um grito que ninguém quis ouvir…

Cada linha aqui é um grito que ninguém quis ouvir… Se eu tô de pé, é por todos que tombaram no caminho. Isso aqui é o diário de um sobrevivente. E eu sou muitos… ⸻ [VERSO 1 – poesia da dor] Acordei com pesadelo e não era sonho, Era a lembrança do parceiro coberto no lençol medonho. Não era filme, nem clipe de artista, Era o corpo estendido que a quebrada nunca esquece da lista. A mãe dele gritou… Mas quem ouviu foi só o chão. A sirene chegou tarde, A ambulância trouxe o caixão. O pivete que brincava na calçada, Hoje é lembrado no portão com vela apagada. Mas o mundo gira e esquece, Enquanto outro favelado desaparece. ⸻ [REFRÃO – voz firme, estilo marcha lenta] 📢 Eu sou o diário de quem vive em silêncio, 📢 Meu rap não é vibe, é sofrimento intenso. 📢 Cês quer ostentação? Eu tenho cicatriz, 📢 Cês quer fama? Eu quero justiça por quem não tá mais aqui. ⸻ [VERSO 2 – rima de revolta e verdade] Me diz onde tá o direito à vida, Se aqui o direito é enterrado com camisa suja e despedida. A escola não ensina o que é ter medo de sair, A TV não mostra a favela tentando resistir. Falaram de progresso, mas eu vi só muro, Falaram de futuro, mas pintaram tudo de escuro. A cor da minha pele me condena sem juiz, E o sonho da minha cor só vira cicatriz. Me chamaram de vagabundo, sem saber da minha dor, Me disseram que Deus tá no templo, mas nunca viu o horror. Eu vi fé na marmita dividida com os irmão, Vi mais igreja na rua do que perdão na televisão. ⸻ [REFRÃO – repetido com backing sombrio] 📢 Eu sou o diário de quem vive em silêncio, 📢 Meu rap não é vibe, é sofrimento intenso. 📢 Cês quer ostentação? Eu tenho cicatriz, 📢 Cês quer fama? Eu quero justiça por quem não tá mais aqui. ⸻ [VERSO FINAL – espiritual, cortante, tipo carta de despedida] Se um dia eu cair, que minha caneta continue, Escrevendo a dor de quem amou e não teve pra onde fugir. Não quero homenagem com beat caro, Quero mudança, justiça, e o fuzil calado. Que cada verso meu assombre quem finge que não viu, Que cada lágrima minha envergonhe quem riu. Se esse rap te incomoda, é porque tá funcionando, E se eu tô falando alto, é porque o povo tá gritando! ⸻ [OUTRO – voz rouca, sample de criança rindo ao fundo e depois silêncio] Esse é o diário de um sobrevivente… Mas quem sobrevive… não esquece. Escreve. Denuncia. Chora. Canta. E sangra em cada verso pra que ninguém mais precise.

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11 months ago

Cada linha aqui é um grito que ninguém quis ouvir… Se eu tô de pé, é por todos que tombaram no caminho. Isso aqui é o diário de um sobrevivente. E eu sou muitos… ⸻ [VERSO 1 – poesia da dor] Acordei com pesadelo e não era sonho, Era a lembrança do parceiro coberto no lençol medonho. Não era filme, nem clipe de artista, Era o corpo estendido que a quebrada nunca esquece da lista. A mãe dele gritou… Mas quem ouviu foi só o chão. A sirene chegou tarde, A ambulância trouxe o caixão. O pivete que brincava na calçada, Hoje é lembrado no portão com vela apagada. Mas o mundo gira e esquece, Enquanto outro favelado desaparece. ⸻ [REFRÃO – voz firme, estilo marcha lenta] 📢 Eu sou o diário de quem vive em silêncio, 📢 Meu rap não é vibe, é sofrimento intenso. 📢 Cês quer ostentação? Eu tenho cicatriz, 📢 Cês quer fama? Eu quero justiça por quem não tá mais aqui. ⸻ [VERSO 2 – rima de revolta e verdade] Me diz onde tá o direito à vida, Se aqui o direito é enterrado com camisa suja e despedida. A escola não ensina o que é ter medo de sair, A TV não mostra a favela tentando resistir. Falaram de progresso, mas eu vi só muro, Falaram de futuro, mas pintaram tudo de escuro. A cor da minha pele me condena sem juiz, E o sonho da minha cor só vira cicatriz. Me chamaram de vagabundo, sem saber da minha dor, Me disseram que Deus tá no templo, mas nunca viu o horror. Eu vi fé na marmita dividida com os irmão, Vi mais igreja na rua do que perdão na televisão. ⸻ [REFRÃO – repetido com backing sombrio] 📢 Eu sou o diário de quem vive em silêncio, 📢 Meu rap não é vibe, é sofrimento intenso. 📢 Cês quer ostentação? Eu tenho cicatriz, 📢 Cês quer fama? Eu quero justiça por quem não tá mais aqui. ⸻ [VERSO FINAL – espiritual, cortante, tipo carta de despedida] Se um dia eu cair, que minha caneta continue, Escrevendo a dor de quem amou e não teve pra onde fugir. Não quero homenagem com beat caro, Quero mudança, justiça, e o fuzil calado. Que cada verso meu assombre quem finge que não viu, Que cada lágrima minha envergonhe quem riu. Se esse rap te incomoda, é porque tá funcionando, E se eu tô falando alto, é porque o povo tá gritando! ⸻ [OUTRO – voz rouca, sample de criança rindo ao fundo e depois silêncio] Esse é o diário de um sobrevivente… Mas quem sobrevive… não esquece. Escreve. Denuncia. Chora. Canta. E sangra em cada verso pra que ninguém mais precise.

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